terça-feira, novembro 28, 2006

Acômodo semi-controlável da evolução auditiva humana no âmbito urbano, também chamado simples e vulgarmente de "costume".

PRRRRRRRRRRRRRRRrrrrrrrrrrrrrr........... ...

PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIiiiiiiiiiiiiiiiiii...................... ...

PEHNPEHNPEHNPEHNpehnpehnephnephnehgepnhpnhe................... ...

sexta-feira, novembro 24, 2006

Energia Pura!

Atenção meninada! Quer ser bonito e desejado por todos? Quer ser popular? Queeeer ser o exemplo pra seus amigos ou observadores? Vire energia pura! ENERGIA PURA, meninada! É isso ae!
Mande agora sua cartinha para NASA, escrito no envelope "Quero virar energia pura!"

E que você seja bem recebido no buraco negro mais próximo, loser!

segunda-feira, novembro 13, 2006

To the lovely Mr. R

Lixos nascem, crescem.
Lixos seguem o fluxo, e se orgulham disso.
Lixos mudam de forma, e continuam se orgulhando disso.
Lixos gostam de feder e espalhar seu fedor e ouvir reclamações.

Ah se fosse somente lixo orgânico!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Ciclo

Começou como um objeto, até que descobriu-se alguma utilidade; virou ferramenta.
De ferramenta aleatória foi melhorando até ser cotidiana e melhorando até ser essencial.
Da essência veio a alma e da alma veio a vida e da vida a multiplicação.

E da multiplicação veio a banalização e, enfim, o retorno ao seu posto inicial de objeto.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Discurso ativo imposto, aceitação passiva imediata

Passando os fatos como uma luz num prisma contemporâneo, eu acho que tudo é uma bosta azul.
Bosta por ser, não tem discussão.
E azul por eu gostar, qual sentido em discutir?

quinta-feira, outubro 19, 2006

terça-feira, outubro 10, 2006

quarta-feira, outubro 04, 2006

Ócio

Eu tava com sono e com tédio.
Eu tava com sono e com tédio de besta, eu tinha algo pra fazer.
Mas eu tava com sono e com tédio e com preguiça.

Eu tava com sono e com tédio e com preguiça procurando o que fazer.
Eu tava com sono e com tédio e com preguiça procurando o que fazer por não querer fazer o que tinha pra fazer.

Eu tava com tanto sono e tanto tédio e tanta preguiça que repeti um monte de vezes um monte de palavra pra escrever uma coisa infinitamente inútil.

Mas eu tinha o que fazer, eu juro!


[O que eu tenho, doutor?]

terça-feira, outubro 03, 2006

Life in a box

Enquanto estava no banho eu pensava em coisas pra escrever (aqui e em qualquer lugar).
Lá, no banho, eu criei o mundo e o desfiz em vapor. E o restante, com a água, escoou.
Na sagrada missão do banho automático de fazer tudo sem pensar, tinha pensamentos vagos e pensei em pensar em escrever coisas e pensei em colocar aqui (ou em outros lugares).
Mas sempre, todos os dias, eu pensava mundos e outras coisas e assim que eu abria o box e pensava em me enxugar e me vestir, tudo ia embora (assim como o vapor e a água, daí vem a metáfora).
Então hoje me veio a luz (e a água na minha cabeça e o vapor formado dela).
"Ué!" já que as idéias l337s e tr00s iam embora (como o vapor que se espalha pelo banheiro todo e se perde ou como a água que vai pro ralo ou se deposita no chão e depois é seca), então vou escrever sobre as idéias (e sobre o vapor e sobre a água).

Aí a idéia se espalha em parágrafos cheios de frases e palavras e letras (acentuadas ou não) e pontuação
....em frases cheias de palavras e letras (acentuadas ou não) e pontuação
...em palavras cheias de letras (acentuadas ou não) que ainda dizem algo
..em letras sem acentos nem expressividade


Puf! virou alfabeto.

quarta-feira, setembro 27, 2006

sábado, agosto 12, 2006

[Petr]olhai-nos, Allah

S
o
l
d
a
d
o Soldado Soldado Soldado Soldado Soldado


-> E todo caos no oriente médio há uma explicação lógica e plausível: lá que mataram Jesus. É óbvio.

domingo, julho 02, 2006

CIRCLE 2,3,5,6

Cara, não tem jeito. Se você desenha um círculo, você tá desenhando a linha do círculo, não seu interior ou exterior. É uma linha, é isso.

sábado, maio 20, 2006

Superficial

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z


É, nem sempre os acentos, misturas e regras são visíveis.

terça-feira, maio 16, 2006

São Paulo living a chaos

Perfeição - Legião Urbana


I
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade.

II
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.

III
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.

IV
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.

V
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera -
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição

segunda-feira, maio 15, 2006

Juíz de volleyball com rede concreta

João.
Achava ser inteligente, intelectual.
Outras pessoas também o achavam inteligente, intelectual.

Rejeitava inferiores e louvava superiores.
Sua visão do mundo ia de acordo com seus amigos que pareciam inteligentes, intelectuais que iam de acordo com outras visões que parecessem inteligentes, inteletuais. Assim também eram seus gostos gerais.

Não se redimia dos seus erros e ignorava o que não queria ouvir. Dizia aceitar críticas, mas só aceitava dos superiores. Falava mal de qualquer um mas não via suas falhas. Dizia que o mundo era falso, que todo mundo falava mal de todo mundo por trás.


Coitado, tão coletivo.
Tão itálico.

quarta-feira, maio 10, 2006

Tragédia

Dona Maria era uma senhora gorda, queria emagrecer.
Um dia ela foi a uma livraria procurar algo para uma nova dieta. Achou um livro sobre alimentação saudável.
Comprou o livro. Tinha capa dura, folhas nobres e era bem grosso; foi um livro bem caro. Tinha fotos charmosas e receitas.
A partir desse dia só comeu alimentos integrais e verde. Inclusive uma deliciosa salada de mamona.
Foi sua última refeição.

Coitada, nunca sequer leu o livro.

quarta-feira, maio 03, 2006

Polýgonon

Vê? O cubo parece crescer.
Aquele vidro engana, olha o reflexo, olha o interior. O vidro te olha.
Há cubo no cubo? há no cubo, cubo?
Vê? A janela está empoeirada.
Tenta ver, já está suja mesmo.

Viu? A teoria é exata mesmo sem provas.
Eu sei o que você fez! Não esconda de mim, eu sei de tudo. O vidro é fumê, mas eu te vejo. Meu ambiente é mais escuro.
Isso, envergonhe-se. Tem motivos de sobra! e eu o sei bem; sabe que eu sei?

Assim mesmo.
Mesmo assim.

Ah, estou com frio.
A blusa está lá fora; fora do meu mundo.
Mentira, não estou com frio não.

quinta-feira, abril 27, 2006

Bah

O que está acontecendo [...]?

Responda sem saber. Não precisa ter sentido, muito menos um caminho linear.

sexta-feira, abril 21, 2006

Esponjas preguiçosas

Agora há pouco estava tomando água com açucar.
Não, eu não estava nervoso ou algo do tipo. Minha mãe sempre nos dava água com açucar quando estávamos "nervosos ou algo do tipo". Quando menor eu não tomava água com açucar por vontade exatamente por isso, achava ser remédio mesmo que nunca tivessem me dito que havia qualquer tipo de droga nisso.
Nunca houve qualquer tipo de droga em água com açucar, mas eu só via as pessoas tomando quando era "necessário". Sem falar que quando eu tomava por tomar me diziam que fazia mal. De onde tiraram isso? É bem óbvio, eles tinham (ou ainda tem) a mesma visão que eu tive.
Engraçado como as pessoas absorvem e guardam as coisas do mesmo jeito que recebem. Isso é falta de personalidade ou medo da modificação? Talvez confiança demais.

terça-feira, abril 18, 2006

Extremismo simbolista do terrorismo poético

Uma laranja.
Aliás, um feto de laranja.
Cresce, cresce, amadurece, cai.
Abre uma rachadura na casca, seu suco é ácido.
Caem mais laranjas dessa árvore fértil porém abandonada. Mais suco ácido no chão.
Chegam pássaros, formigas, moscas depositando seus ovos que crescem, crescem, viram vermes, amadurecem, viram moscas e botam mais ovos. Chega o calor do sol, o suco evapora, sobe, vira parte de nuvem que vira parte de uma chuva que cai e vira parte do chão.
Mais uma laranja.
Colhida, comida, vendida, espremida.
Descascada, cortada, chupada, descartada.
Mais suco com ácido. Fazendo revoluções internas; guerras.
Mais criaturas. Morrendo, nascendo, crescendo, caindo ou não.
Mais evaporação; gases e explosões.
Mais imagens, sons, sabores, texturas, aromas.


E mais crianças pedindo Tang.